sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Língua de Trapos...

Fica difícil destilar teu veneno execravel
Em teus lábios a peçonha tange a carne
Tudo que rogas é maldade e pútrido


Como o sabor imundo de tua própria alma
Cospes sangue em ouvidos alheios
Com um olhar apodrece qualquer centeio


Lavouras de amizades e sentimentos
Tudo apodrece perante teu escárnio
Não passas de um ser malévolo e indesejável


Quando o ódio e o cinismo acabarem
Sobrará somente a solidão e o Sol
Para consumirem sua medíocre carne...


Felipe Ferreira Pereira   (27/02/10)

Mentiras...

Esse é seu jeito de resolver as coisas
Rainha da ludibriação, Deusa dos fantoches
Sua lingua ferina espalha infermidades
Gera desunião e causa deboches


Mas que santa do pau oco,
Deseja-me a morte do fogo
Mas desejo-te diferente
Só pare um pouco e pense


Pois um certo dia poderás ser chegada
A hora em que moderás a propria língua
E morrerás junto com teu próprio veneno
Num inferno ameno, no fim da alvorada...


Felipe Ferreira pereira (26/02/10)

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Deixo...

Deixo-te ir e ao mesmo tempo deixo de ser
Deixo de ser quem nunca fui para obter
A Atenção e o Amor jurado no "Ser"
Deixo de lembrar que tenho que esquecer


Deixo as mágoas e tudo mais
Ao menos lembre-se como se faz
Um afago um carinho e como se traz
E fujo do fogo desse dragão voraz


Não quero ser descabido mas deixo aqui
Essas palavras sinceras de quem viu
O amor prometido que nunca existiu


E as juras de um passado que veio a tona
Num futuro que o tempo apenas permitiu...
Futuro longincuo que passou e se extinguiu

Felipe Ferreira Pereira   ( 26/02/20010 )

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

MUTAÇAO SOCIAL

Cuspi pela boca seca e pálida
O inseto indigesto que abrira suas asas
Inicialmente planou pelo ar
Mas logo recuperou suas forças
Começou a voar


O vento que lhe fazia subir era frio
Mas o sol se aproximava, aquecendo-o aos poucos
Meu sentimento era de pleno vazio
Meus pensamentos encheram-se aos poucos


Ao passar das nuvens o inseto se transformara
Agora tinha bico e penas
Seu tamanho muito aumentara


Subiu velozmente chegando ao espaço
Olhando para baixo sentiu embaraço
E mergulhou novamente para o fundo do acaso


Felipe Ferreira Pereira

MINHA...

Dou-te o prazer e a luxúria de ser...
Minha, somente a mim pertencida
Como único motivo de minha alegria
Separar-me de ti só quando morrer


Ante o medo de não mais pertencer
Tua paixão a mim prometida
Amar-te-ei com o fogo da vida
E até os limites viver


Teu corpo e tua alma preenchendo meu ser
Ocupando meu ego de toda harmonia
Que antigamente era só carne fria


Mas que hoje voltou a aquecer
E em meu desejo por ti florescer
A dor que de mim foi despida...


Felipe Ferreira Pereira

OTENOS HUMANOS

Andróides bípedes controlados
Alienados inertes, alienígenas
Estigmas do poder persuasivo


Frutos do tédio corriqueiro
Vícios da rotina continua
Prova do caos mantido


Alimento de animais pensantes
Sementes do ódio omitido
Colheita de olhos errantes
Fonte de sabor insípido


Deglutidos pela ganância
Regurgitados pela miséria
Estagnados de raça insana
Vivem em constante amnésia


Felipe Ferreira Pereira

MATILHA DE PRATA

No alto do selvagem arranha-céu
Eles rondam, para guardar os montes
Vigiar o tempo, a linha do horizonte


Olhos receosos enchem-se de lágrimas
Sabem que tem de lutar
E a batalha está para começar


Reduzidos a carne e osso
Feridos por prata
São mais do que isso
Matilha de prata


Espalhando-se pela mata
O perigo a espreita
Sua próxima colheita
Frutos do nada


Matilha de prata
Que fere, que mata
Decidindo suas vidas
No fulgor da batalha


Felipe Ferreira Pereira

EGO MEU

Parado e perplexo
Diante meu vicio
Estúpido, inconseqüente
Esvazio meu pranto
Quieto, calado
Prezo em meu canto
Ser tudo o que quero
Desejo e espero
Uma busca inalcançável
Talvez seja exagero
Talvez não
Mas...
Apenas peno
Escuto
Acendo meu ultimo cigarro
Me desfaço em fumaça
E não há nada que me faça
Ser feliz
Afinal é nosso único objetivo
E maior desejo
Mas já que é impossível
Por que preocupar-me?
Deixarei a vida seguir
Meu pranto rolar
Rir meu riso contido
E esperar...
Esperar...
Esperar...
Esperar...
E desesperar

Felipe Ferreira Pereira

EGO PALHAÇO

Minhas mãos que sangram
Por qualquer motivo
Escorrendo esperança
Cicatrizando lembranças

Minhas veias se rasgam
Procurando sentido
Sem saber se adianta
Depositar confiança

Em minhas dores que esperam
Ter o riso contido
O palhaço que dança...
O palhaço que encanta...

E os pequeninos festejam
Esse saber proibido
Retroagindo à infância
Nos tornando crianças

Felipe Ferreira Pereira

Desejo Póstumo

Quando perecer não sucumbirei a terra
Tornarme-ei um novo ser a espera
Meu espírito vagará por toda essa esfera


Retirem meu coração e lancem-no ao magma
Deixem-no incinerar sem o mínimo de pressa
Que suas cinzas fomentem o apetite da besta-fera


Solidificando meus sentimentos na primavera


Felipe Ferreira Pereira

LAGRIMAS DE AMINÉSIA

Acordei pela manha ainda com sono. Aquele sono leve e alegre que se vive no outono. Olhei
Para o lado, minha cama vazia, minha mente cansada; deve ter sido por conta dos comprimidos. Levantei-me e abri as cortinas, a luz do sol ofuscou minha visão apenas por um instante. Então caminhei até meu guarda-roupa, me vesti e saí em busca de tudo. Desci o lance de escadas, atravessei o corredor alcançando a sala e no momento em que atravessaria a porta, hesitei. Sem motivo algum esperei, olhei para a rua vazia e procurei algo para apoiar meu ego. Então bati a porta atrás de mim. Meus primeiros passos foram pesados como minha consciência, mas logo recuperei a calma. Sem me dar conta acordei do fundo de meus pensamentos, olhei para cima e vi o céu azul que transparecia a confiança de um domingo ensolarado. Depois de admirar demoradamente as nuvens baixei a cabeça, em seguida olhei pra frente e... e a vi! Meu coração se encheu de tanta alegria que não pude suportar, meus olhos encheram-se de sentimento. Sentimento esse que rolou pela minha face. Fiquei imóvel diante do destino, só o vento movia a ponta de seus cabelos cacheados.
Ela estava linda! Era realmente linda! Mas me enchi de tanta alegria que não pude suportar.


(Felipe Ferreira Pereira)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

OTENOS TONESO DE MI

Diretamente do acaso
Declaro o descaso
Que sentes por mim


Declaro com realidade
Que a infelicidade
É mais fácil sentir


Por entre meus dedos tortos
Espio sentimentos mortos
Que ainda perseguem você
Como se nada tivessem a temer


Linguagem e língua contrarias
De formas abstratas
Se formam na alma sem perceber
Que o sentimento contrario deve perecer


Felipe Ferreira Pereira

ESCRAVIDAO DO SERTAO

Brasa em chama de fogo
Que faz sangrar a mão
Alcoviteiro da seca
Lavrador do sertão


Vem como coragem
Na cabeça do homem
Mata o tempo de sede
E a consciência consome


Desfrutando da vida
Como areia em grão
Sufocado na ira
Mar de solidão


Aqui tudo se planta
Mas nada se nasce
Perpetua-se a fome
E se perde a coragem


Escorre pela face
Cai em solo rachado
O pranto da dor
De sabor amargo


Universo do agreste
Cabe em palma da mão
Calejada em nordeste
Escravidão do sertão

Felipe Ferreira Pereirra

MAIS QUE ACREDITAR

Tudo na vida é perca de tempo
Humanos vivendo seu próprio lamento


Perdemos tempo bebendo
Perdemos tempo fumando
Perdemos tempo dizendo
Perdemos tempo amando


Vivemos coisas que não me satisfaz
Acredito no amor
Mas duvido da paz


Paz abstrata que não queremos encontrar
Dizemos querer sem querer
Que querer é mais que acreditar
Mais que dizer, mais que voar


Dormir sem sentir o amor
De um dia sonhar


Pensamentos soltos pelo vento
Sempre livre de ilusões
Sem pensar nos corações
Que pesam


Pesam ao perceber que querer
É mais que crer, mais que dizer
Mais que voar, mais que acreditar.


Felipe Ferreira Pereira

LINHA TENUE DO CAOS

Para libertar minha mente
Sim, libertar o inconsciente
E conseqüentemente
Libertar o inconseqüente
Que há dentro de mim


Ouvir minhas próprias loucuras
Absorver meus pecados
Loucos e bêbados
Vadios pelados


Como a orgia hipócrita
Fazer-me-ei de cego
Então tudo posso tentar
Tudo posso fazer
Mesmo se errar


Atropelar meus vícios
Esquecer minhas virtudes
Escapar de meus amores
Criando novos rumores


Ensandecidos e mundanos
Drogados, alcoolizados
Entregues a luxuria
Como vermes pelo chão
Criamos a religião


E através dela tentamos
Nos redimir, encontrar o perdão
Mas... Para que?
A quem recorremos então?


Outra mera ilusão
Religião, criada e mantida
Através dos séculos perpetuada
Uma classe enriquecida
Sórdida burguesia


Heresia a flor da pele
Indulgências cobradas
Pecados perdoados
Se forem pagos


Se eu tiver enlouquecido
Me amarrem e me amordacem
Se eu tiver me iludido
Que eu perca a coragem
De que fui munido


Mas se estiver certo
Que tudo isso continue
Que cresça como minhas palavras
E que não se atenue


Felipe Ferreira Pereira

Cidades Inclinadas

De olhos tapados sigo as cegas
Pelas cidades inclinadas, favelas
Subsídios do submundo, mazelas


Mundo sujo, depauperável
Esquisito, lamentável


Onde toda forma de amor
Expressa violência
Onde todos sentem dor
Sucumbindo a imprensa


Sofrimento, cobiça, notícias
Tráfico, crimes, balas perdidas


Soberanos em sua ira
Situação antiga sem sentido
Onde o preço de uma vida
É o calibre do perigo




10/04/08  Felipe Ferreira Pereira

Latifúndio em Preto e Branco (relato de um escravo)

Minha longitude negra
Minha casa, minha ceia
Sua latitude branca
Seu dinheiro, sua Bonanza


Minha objetividade negra
Meu suor, minha centelha
Sua subjetividade branca
Seu preconceito, sua ganância


Meus sonhos negros
Liberdade, sem preconceitos
Seus sonhos brancos
Futilidade, seus anseios


Sua branca certeza
Soberania, avareza
Minha mais que certeza
Labuta, longitude negra


14/04/08    Felipe Ferreira Pereira

FÊNIX

Surgi das negras cinzas
Levantei vôo, cuspi fogo
Bati minhas asas
Olhei ao redor, para baixo
Estou no ar, cruzando os céus
Sou uma fênix
Ressurgi dos sedimentos
De meus sentimentos
Agora cruzo os ares
Observo os mares
Rasgando as nuvens
Entre rasantes e extremos
Extraio o ciclo dos ventos
Que me levam, me guiam
E num turbilhão de tempo
Me fazem parar, sobrevoar
Subir, pensar
E no céu sorrir
E fluir no mar
Refletir num instante
E no outro retomar
Seguir, voar
Pra onde o vento quiser
E o horizonte mandar


Felipe Ferreira Pereira

GLOBARBARIZAÇÃO

No momento em que nascemos
Começamos a morrer
Numa contagem regressiva
Num progresso passivo
E distorcemos a realidade
Talvez para que seja mais amena
Ou para que a tão desejada felicidade chegue
Mas nos esquecemos o caminho dessa busca
Hoje em dia felicidade é silicone
Felicidade é tecnologia
Felicidade é...
É o supérfluo
A vaidade
Invadir culturas
Destruir a natureza
E conciliamos evolução com devastação
Julgamos, fazemos, transformamos
Destruímos, optamos
Mas, nada importa
A não ser...
Fornecer nosso lixo enlatado
Cuspir nossa perversão on-line
E deixar marcas irreparáveis
É realmente lamentável
Um jogo de culturas
Aculturação...
“GLOBARBARIZAÇÃO” !!!

Felipe Ferreira Pereira !!

DEMOCRACIA DEPLORÁVEL

Distante do delírio
Dedilho diante do deleite
De delibar desfrutando
Do decênio damasco


Deliberadamente delinqüente
Definir definitivamente
Do dom denotado


Deflagrar da década
Dantes do dantesco


Decrepitude decúbita
Decorre da decência
Debaixo da deriva
Debulho da decadência


Difusão de decalque
Do diabo dormente
Desfez do disfarce
De dormitório descendente


Debilitado debalde
De dardejar do debate


Democracia deplorável
Descaminho do destino
Desbravam do descaso
Do descanso desconsolável


Derruir do desfalque
Desconhecendo do disparo
Disseminar da divindade
Duelando do desgaste


Duplo desejo disforme
Debruça durando deboche
Do devasso divorcio
Do dúbio discorde


Daltônico danificado
Desprazer dedicado
Do desmatamento dourado


Decreto debelado
Debuxo decepcionado




Decuplo decurso
De decoração
Decola destaque
De decomposição


Declama de dor
Do decoroso dispor
Do diamante dolor


Democracia deplorável
De dignidade depauperável


Felipe Ferreira Pereira

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Se...

Se eu a tivesse
Para sempre em meus braços
Meus olhos ansiosos
Teus seios fartos
Dar-lhe-ia afeto
E acordaria todas as manhas
Com uma canção de amor
Pra que te esqueças de idéias vãs




Carmim e carnudos
São os lábios teus
Beleza sem nexo
Orgasmo
Puro sexo
Cheiro de chuva
Gotas de emoção
Refletem o vazio repleto
Que chamamos paixão


Mas se eu a tivesse
Junto a meus lábios
Perto dos astros
Estrelas, galáxias
Livres no espaço
Distantes de tudo
Distantes de todos
Seu corpo um reduto
Minha'lma consolo


E se eu a tivesse
E simplesmente a tivesse
Pertenceria as minhas emoções
Meus sentimentos
Nossos corações
Em estrada vazia
Com a mente descalça
Mergulhando no abismo
No fim da alvorada


Abismo que me deixa num impasse
Entre o amor e o desejo
Como quem revelasse
Que se eu a tivesse
E apenas a amasse
Não seria perfeito
Pois faltaria o gesto...
Fogo da sedução
Se tornando incompleto


Felipe Ferreira Pereira

SEREI


Nem os cegos que veem o futuro descobrirão
O pesar que tens no olhar, nunca saberão
Se ao menos encontrar uma fuga espelhada
Cercada naqueles que sentiam tamanha paixão...

Achará o que sempre procurou e optava
Aquela centelha reservada do seu guardião
O qual se denominava impenetrável
E auto-dizia-se sem esperança ou compaixão


Mas sabemos que os segredos sagrados
Estão fervendo no fundo do peito
E que o nome de tal guardião será explicitado


Assim como seus caminhos tortuosos
Caminhos de um cororação respeitado
Que não teme o amor ante olhos maliciosos


(Felipe Ferreira Pereira)

CAMINHOS

Quero ser seu ocio, consumir tua carne
Esgueirar-me pelos seus vicios
Curando tuas feridas, ser teu ópio
Sacudir sua vida juntando todas as partes


Tranfomando-as em uma só
Do gosto do vinho suave e doce
À armaguês do sangue tinto
Epalhar-me-ei, serei o teu Sol


Pretendo iluminar cada raio de vida
Cada foco de infelicidade e tristeza
Transformando-os em plena alegria


Harmonia em desespero raro rogarei
Aguçarei meu astuto tato e olfato
Cobrir-te-ei de rosas e beijos fartos


(Felipe Ferreira Pereira)

MUTAÇAO SOCIAL

Cospi pela boca seca e pálida
O inseto indigesto que abrira suas asas
Inicialmente planou pelo ar
Mas logo recuperou suas forças
Começou a voar


O vento que lhe fazia subir era frio
Mas o sol se aproximava, aquecendo-o aos poucos
Meu sentimento era de pleno vazio
Meus pensamentos encheram-se aos poucos


Ao passar das nuvens o inseto se transformara
Agora tinha bico e penas
Seu tamanho muito aumentara


Subiu velozmente chegando ao espaço
Olhando para baixo sentiu embaraço
E mergulhou novamente para o fundo do acaso




13/05/08   Felipe Ferreira Pereira

Latifúndio em Preto e Branco (relato de um escravo)

Minha longitude negra
Minha casa, minha ceia
Sua latitude branca
Seu dinheiro, sua Bonanza


Minha objetividade negra
Meu suor, minha centelha
Sua subjetividade branca
Seu preconceito, sua ganância


Meus sonhos negros
Liberdade, sem preconceitos
Seus sonhos brancos
Futilidade, seus anseios


Sua branca certeza
Soberania, avareza
Minha mais que certeza
Labuta, longitude negra

13/05/08   Felipe Ferreira Pereira

Migalhas do Troco

Despejar meus vícios pela cidade
Gaguejar diante da vida
De forma pobre, estarrecida


Não adianta chorar ou cantar
Apenas viver pelo ópio
Calejando o ócio


Estrada tortuosa que entorpece
Qualquer mente eloquente
Preparando o divorcio


Divorcio da alegria
Divorcio do zelo
Divorcio da estima
Divorcio do medo


Inconsequentemente viver
Enlouquecendo todos os dias
Sanando todos os sonhos
Pensamentos a deriva


Derivados da causa
Globalizados do sistema
Que define o tema


Que define o padrão
De células tronco
Ao troco do pão

13/05/08   Felipe Ferreira Pereira