sexta-feira, 30 de julho de 2010

Profano Messias

Sentado aqui como um garoto frente à televisão
Vejo os trocados escorregarem de meus bolsos
E sentado aqui enxergo como os humanos são
Sempre esperando que seus sábios sejam tolos


O que espreita a todos nós é mais importante
Mais imponente que qualquer visão de garoto
Um sentimento incentivado e sem remetente
Que ao fim nos arrastará para o nosso esgoto


É sussurrado a todos os ouvidos, mas não se ouve
Colocado diante de todos os olhos, mas não se vê
Não acreditar no Diabo é apenas mais uma opção
Ele sempre acreditou em você, acredite ou não.


Felipe Ferreira Pereira  30/07/10

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Ainda Pulsa

Coração é terra inabitada, onde o prazer reina diante a raiva controlada
Coração pulsa e expulsa qualquer luxúria, avareza e pecado escondido
Nada que não deixe ter seu egoísmo cego ou seu amor desmedido
E descompreendida mesmo é a saudade de não trocar uma palavra.

Mas quero que sempre habite meu âmago, que melhore meu fardo
Não que o meu coração já não seja um tanto quanto pesado
Pelo fato de não ter exercitado muito bem nesses últimos tempos
Falta-lhe amor, luxúria, avareza. Cobiço ternura e seu rosto marcado.

Felipe Ferreira Pereira 27/07/10

DEMOCRACIA DEPLORÁVEL

Distante do delírio
Dedilho diante do deleite
De delibar desfrutando
Do decênio damasco

Deliberadamente delinqüente
Definir definitivamente
Do dom denotado

Deflagrar da década
Dantes do dantesco

Decrepitude decúbita
Decorre da decência
Debaixo da deriva
Debulho da decadência

Difusão de decalque
Do diabo dormente
Desfez do disfarce
De dormitório descendente

Debilitado debalde
De dardejar do debate

Democracia deplorável
Descaminho do destino
Desbravam do descaso
Do descanso desconsolável

Derruir do desfalque
Desconhecendo do disparo
Disseminar da divindade
Duelando do desgaste

Duplo desejo disforme
Debruça durando deboche
Do devasso divorcio
Do dúbio discorde

Daltônico danificado
Desprazer dedicado
Do desmatamento dourado

Decreto debelado
Debuxo decepcionado


Decuplo decurso
De decoração
Decola destaque
De decomposição

Declama de dor
Do decoroso dispor
Do diamante dolor

Democracia deplorável
De dignidade depauperável

Felipe Ferrira Pereira

Perdoa-me

Enquanto falar
Calar-me-ei.
Enquanto solfejar
Jamais cantarei.

Se é meu erro
Não te preocupes tanto
Tentarei não mais errar.

E mesmo que eu peque,
Perdoai-me.
Pois sou feito de osso e carne.

Carne que nasce,
Carne que cresce.
Carne que se engana,
Carne que falece.

E quando meu corpo
Não mais perdurar,
Minh’alma prevalecerá!

A seu eterno dispor,
Clemência e torpor.
Enquanto preciso for.

Não imagino de que maneira
Origina-se a Dor.
Mas, se preciso for,
Castigai-me, por favor!


Felipe Ferreira Pereira

Desejo Póstumo

Quando perecer não sucumbirei a terra
Tornarme-ei um novo ser a espera
Meu espírito vagará por toda essa esfera

Retirem meu coração e lancem-no ao magma
Deixem-no incinerar sem o mínimo de pressa
Que suas cinzas fomentem o apetite da besta-fera

Solidificando meus sentimentos na primavera
Florescendo segredos de uma nova era
Desabrochando silencio numa nova pangeia

Redoma visível, de energia concreta
Soma de caos e ordem repleta
Renascimento do ser, harmonia perpetua

08/04/08  Felipe Ferreira Pereira



sábado, 24 de julho de 2010

Antes de Tudo


Antes de tudo, e com tanta atenção, deparei-me diante do mundo
Perplexo e inesperadamente convicto de suas ações pensei, hesitei
Que tudo é como já havia esperado há algum tempo, então mergulhei,
Imerso em assuntos corriqueiros flagrei, vozes que amargam fundo.

E será que diante dessa empreitada de conhecer-te bem terei auxílio?
Talvez. Mas é certo que, tua boca me esclarecerá em meu exílio.
Em passos tão rápidos e duros descobrirei o que já havia descoberto,
Diante de um futuro próximo sei que o caminho será sempre incerto.

Felipe Ferreira Pereira  24/07/10