quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ensina-me

Ensina-me a prorrogar minhas ações mais impulsivas,
Conter a raiva perante pessoas prepotentes e fúteis.
Celebrar as pequenas vitórias ante os medos da vida
E olvidar sempre todos e quaisquer problemas difíceis.

Guia-me pela trilha estreita, passos curtos e cautelosos
Ajudarão para com meu crescimento enquanto homem.
Não que queira desvencilhar-me dos sonhos audaciosos,
Mas ater os pés ao chão é um sinal de sabedoria também.

Felipe Ferreira Pereira 23/10/10

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Superfaturando Certo por Terras Tortas

Velas e ventos que sopram às chancelas de vidas roucas,
Mas que insistem em apegar-se a fé. Seria humilde tola?
De pronto que não, ater-se um rosário e bíblias as mãos,
Rogando que a seca fortaleça corações e lhes dê o pão...

Bebericando o sumo do mandacaru em cuidados dosados
Vêem-se mazelas, fiéis fervorosos um tanto abandonados.
Abandono por seu Deus ou pela sociedade como um todo?
Quem pensa em cair ao esquecimento de Deus sim: Tolo!

Felipe Ferreira Pereira 22/10/10

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Paixão Reencontrada no cais

Mais calma carícia e zelo por ti nunca hão de ser demais,
Agora sim que sei: É você a pessoa certa do além MAIS!
Em teus lábios doces a noite refresca e o medo se desfaz
Capaz de vestir a natureza e despir espíritos lá de trás...

Paixão! Arrebata-me subitamente, faz perder-me no cais
De navios e pequenas canoas que se escondem e, aliás...
Lembre-me de nunca esquecer, lembrar-te sempre voraz
Como paixão que volta ao seio farto, vale a pena ser vivaz!

Felipe Ferreira Pereira 21/10/10

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ego Consumado

Esquecer de meu Ego e infringir de pronto minhas verdadeiras vontades.
De que adianta acovardar-se a hipocrisia e ocultar as externas vaidades?
Contar-te-ei um segredo muito raro: Quem esconde os defeitos, no fim,
Acaba por inflar em demasiado o próprio Ego. Que não seja sempre assim.

Felipe Ferreira Pereira 17/10/10

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Lâmina Grave de Ares

Amor com o fogo é o que faço. Centelhas incandescentes.
Esperadamente quentes retorcem o aço tão de repente...
E, em orgasmo múltiplo transformo a matéria que se despe
E toma forma pontiaguda. De madeira é feito seu alicerce.

Agora frio e vil metal pode servir-me em teu nu assassinato:
Vazio e torpe corpo que semeia a luxúria, o brio exacerbado.
Retalharei sem dó ou piedade, mesmo que para sempre cale
 A voz de sabor execrável que põe em ação a lâmina grave...

Felipe Ferreira Pereira 15/10/10

Vale dos Famintos Suicidas

Acordo em meio às turbulentas tempestades de fogo e areia incandescente,
Tento beber um gole de água barrenta que vem das poças do chão iminente.
Olhando para meus andrajos via entre os buracos de trapos enormes feridas,
Colheita de uma vida de ceticismo, descrenças e a incredulidade desmedida.

A fome me assolara, o frio reavivara cada momento, então observei ao redor.
Pessoas repletas de enfermidades ocupavam um espaço nu cada vez maior!
Mesmo assim não esqueci meu egoísmo de pensar só e puramente em mim,
Desejando que aqueles momentos postumamente vividos chegassem ao fim.

Não que eu seja fraco, mas roguei, pedi aos céus a cura e sua benção divina.
Ao exato não sei quanto tempo implorei, mas minhas preces foram atendidas.
Implorei clemência ao Ser de Amor ilimitado. Muito tempo depois, fui ouvido.
Corpo enlameado, chagas e dores que havia passado, agora faziam sentido.

Tudo que vivi nesse momento de sofrimento e amargura tem o certo motivo.
Agora que observo aqui de cima, vejo a vida que deveríamos ter sim, vivido!
Não se esperar tanto dos outros e agir cada segundo se doando ao próximo.
Aos olhos de quem vê e não crê, pode com certeza parecer muito monótono,

Mas parando e pensando bem, desejando tudo o que se quer de bom e Bem,
Somos todos irmãos de mãos afastadas. E vamos para caminho de Ninguém.
Além de nossa egocentricidade nada existe, o vicio flerta com nossas almas...
E persiste a idéia fixa, não fazer o mal e rumar diretamente ao Céu de calma!

O que se pode fazer para que tais máculas sumam? Talvez trabalhar mais...
Sim. Trabalho. Mas trabalho em prol do próximo que necessite. Você é capaz.
Almejando sempre o acminho da perseverança em servidão, ao outro se doar,
Tenho plena certeza que de pronto, mas não logo, iremos finalmente prosperar.

Felipe Ferreira Pereira 14/09/10

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Protesto Póstumo

Que se esqueça a dor do próximo aqueles que não vêem paz em vida.
É o que diriam humanitários e religiosos, mas na pratica não se aplica.
Quantos homicidas colocam-se no lugar das famílias de suas vitimas?
Quantos pecados somos capazes de suportar com consciência limpa?

Falar é fácil, o verbo se aplica, mas o ato desbota, enfraquece e cora.
A vergonha alheia que enrubesce todas as faces que o medo decora.
Somos imperfeitos, pecamos em buscar a perfeição, evolução talvez.
É da condição do homem o Erro. Que tentemos um acerto dessa vez.

Mas que deixemos de lado à Soberba. Fácil dizer, instruir novamente não é?
Então deixo aqui meu protesto póstumo de além morte visto Vivo como se é.
Que não prejudique ou ofenda os de opinião rígida e complicada em calar-se.

Abstenho de minhas práticas falantes, sou Todo Ouvidos, escuto vossa ênfase.
Debatam, confabulem, conspirem e de uma vez por todas tentem. Critiquem-Me!
De modo que não me farão entende-los por completo, mesmo que me matem...

Felipe Ferreira Pereira 10/09/10

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Já se Sabe...

Não se sabe, não se vê. Ninguém me cabe...
Tão pouco espero o que sei, pois já se sabe.
Numa contramão de ilusões, pior, sem volta.
Pruma entre ventos pensamentos de outrora.

Arruma, descansa, extrai-se e depois joga fora.
Usado, utilizado, coagido, inibido e ludibriado.
Mas de quantas armas dispõe o temido Diabo!
Se não fosse trágico e simples, seria até hilário.

Felipe Ferreira Pereira 09/09/10

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Preciso Ir...


Preciso ir
Ou o banco fecha
Preciso ir
Ou minh’alma satura
Preciso despir
O rumor que me cerca
E talvez conseguir
Dissipar a tortura

Preciso fugir
Desfazer da mentira
Retroagir
Encontrar a cobiça
Caricia de medo
Desfruto do zelo

O mal acompanha
Capitalismo comanda
Desfazer da demanda
Esquecer a esperança
Que se enche nos olhos
De uma linda criança

Porem...

Preciso ir
Ou o banco fecha
Preciso ir
Ou minh’alma satura
E a sociedade caduca

Felipe Ferreira Pereira 03/09/10

Sereia de Marte as Margens do rio Plutão

Não preciso de teus elogios. Nada que acrescente ou falte
Mexerá com meus brios. Tentação de elogios tua futilidade.
E antes que me esqueça, cresça, levante vôo e desapareça.
Espero que silencie teus cantos e acenda a tua fria centelha.


Não descanse tua alma enquanto houver um pouco de vida.
Não mais desejarei tua cálida, vil e auspiciosa beleza nua...
Pois, mesmo que me falte o glorioso Sol, terei sempre a Lua.


Felipe Ferreira Pereira 03/09/10

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Idéias

Tenho agora idéias tão vivas que poderia emoldurá-las
Movendo cada partícula de minhas intimidades hostis
Secretamente farei tudo para que eu possa praticá-las
Caso venha a decepcionar-me acreditarei que são sutis

E no tom mais leve, beleza pálida, seguirei a divulgá-las
Mesmo que o desagrado seja geral, total não há de ser
Minhas idéias não são concubinas, impossível agradá-las
No entanto ouvi-las ou concordar, até que poderia ser

Não me calo, não me cego e não ensurdecerei ante nada
Se pecar, que eu peque pelo excesso exaustivo do cultivo
Ainda que sintam línguas, olhos e suas orelhas dilaceradas


O temor de pavorosas e más críticas me é desconhecido
E que no anonimato perpetue tal sentimento de beata
Pois aqui, onde se pode perverter, também pode ser dito

Felipe Ferreira Pereira 02/09/10